A estrela de Belém e o Brasil de todas as crendices
- 12 de dez. de 2018
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Maria¹ é uma empresária, de uma grande cidade brasileira. Ela tem uma rotina bem intensa de atividades. São responsabilidades que a deixam esgotada, porém, satisfeita. Mesmo com toda a correria de casa e da empresa que lidera, não perde a chance de conferir o horóscopo, todo dia, para saber sobre algumas direções e caminhos que sua vida pode tomar.
Ela também não abre mão de vestir certas cores de roupas. Procura usar amuletos. É uma profunda estudiosa de como os planetas, estrelas e de como isso influencia em seu dia a dia, em sua personalidade e em seus negócios. Iguais a Maria, existem milhões de pessoas, que não só se utilizam do horóscopo, mas de orações, banhos, chás, festas de divindades, “santos” e tudo aquilo que possa “trazer” uma direção para suas vidas.
Os magos do oriente
Segundo o Evangelho de Mateus, uma estrela guiou os astrólogos babilônicos até Belém da Judéia. Até ali, a vida deles era direcionada pelos fenômenos astrológicos e estudos astronômicos, mas uma estrela lhes apontaria um novo caminho, lhes dando um real sentido (Mt 2:1-6).
Mateus nos conta a história dos reis magos. Provavelmente, eles eram estudiosos dos planetas, estrelas e universo. Eles estavam ligados em fenômenos no céu. Bento XVI nos diz sobre eles: “(...) a profecia de Jacó a seu filho Judá, em Gênesis 49.10 passa a fazer todo sentido: ‘O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que o tributo seja trazido e as nações O obedecerão’. Portanto, os magos são peça chave para este momento da vida de Jesus”.
O astrônomo, Ferrari d'Occhieppo diz:
"Júpiter, a estrela da mais alta divindade babilônica, aparecia no seu máximo esplendor no momento da sua aparição de noite ao lado de Saturno, o representante cósmico do povo dos judeus. A partir deste encontro de planetas os magos babilônicos podiam deduzir um evento de importância universal: o nascimento, no país de Judá, de um soberano que havia de trazer a salvação”.
Mais uma vez, Bento XVI comenta:
“A constelação estelar podia ser um impulso, um primeiro sinal para a partida exterior e interior, mas não teria conseguido falar a esses homens se eles não tivessem sido tocados também de outro modo: tocados interiormente pela esperança daquela estrela que devia surgir de Jacó (Nm. 24.17)”.
A estrela que guiava esses magos é uma promessa encontrada em Números 24.17: ...Virá uma estrela de Jacó, de Israel se levantará um cetro que ferirá as fronteiras de Moabe e destruirá todos os filhos do orgulho.
Entenda a série completa:
Os brasileiros no ocidente
Por isso, segundo Bento XVI, “Gregório Nazianzeno diz que, no próprio momento em que os magos se prostram diante de Jesus, teria chegado o fim da astrologia, porque a partir de então as estrelas teriam girado na órbita estabelecida por Cristo.”
Nossa vida não depende dos horóscopos, dos fenômenos do ar, do sol, da lua, mas do Sol da justiça, da brilhante estrela da manhã. Natal é se prostrar diante do Deus que foi Menino e que pôs as estrelas com seus próprios dedos no céu (Sl 8.3).
Natal é abandonar a confiança que se deposita nas coisas criadas e acreditar na palavra de Deus dada a todas as nações, a todas as pessoas de todos os lugares. O povo brasileiro é dado a muitas crendices, o que por diversas vezes gera uma cultura de medo e de uma fé frágil.
Aqueles magos da Babilônia eram guiados assim, mas no dia que Deus sinalizou que sua esperança e salvação estavam no Menino de Belém, Jesus brilhou dentro deles. Também pode brilhar no coração da empresária que ler horóscopo todos os dias. Como fez com os magos, ele pode encher também, de uma constelação de esperança, tanto o Brasil, como seu coração.
Andrei Sampaio Soares.

¹Nome e história fictícia.

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