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Humanos e cachorros – a redenção do Evangelho

  • Notícias | Opinião
  • 5 de dez. de 2018
  • 3 min de leitura

Quem pode e quem não pode morrer? E com quais requintes isso poderia acontecer? Escolhi estas perguntas para iniciar este texto não por acaso, uma vez que são duas questões acessas no recente episódio envolvendo a morte de um cão proveniente de agressões a pauladas. Não assisti a todo o vídeo, não tenho estômago para esse tipo de coisa, porém, quero salientar algumas coisas.

 

Esse tipo de episódio não é isolado, matar animais domésticos

à pauladas vem de muito tempo, na verdade, muitos se sentiam

superiores com isso, como uma espécie de poder sobre a vida

e a morte de algo. Eu mesmo, vi na minha infância muitos episódios

como estes, injustificáveis, incompreensíveis e cruéis. Hoje, com o advento

das câmeras digitais e as redes sociais que aglomera pessoas, é possível denunciar e se indignar.

 

Há algo para além disso. E aqui talvez eu deva colocar em termos distintos. O primeiro tem a ver com a capacidade humana em promover crueldades, obviamente que nem sempre foi assim. No Éden o humano recebeu como tarefa do criador cuidar da natureza como um todo. Isso é evidente no início do Gênesis. O que, então, levou o humano a se tornar tão cruel? Essa é uma resposta simples terminologicamente, e teológica. O pecado.


O pecado causou um verdadeiro colapso no mundo, inundou na verdade o mundo de uma crueldade iniciada com um irmão matando o outro. Mas isso não parou, foi-se criando cada vez mais abismos. O ser humano entregue a sua própria capacidade e desejo é capaz de inúmeras crueldades, a história está aí para comprovar isso.

 

Em segundo lugar, temos que compreender que o criador

mandou o ser humano cuidar da criação e não a destruir.

Após o pecado o ser humano passou a ser destruidor do

seu próprio habitat, e não apenas isso, imprimiu sofrimento

semelhante aos outros seres vivos todos. Mesmo o ativismo

em prol dos animais por um lado, ou em prol do humano por outro,

não conseguem explicar essa inclinação humana para o mal.

 

De um lado a defesa animal em detrimento do humano, do outro a defesa do humano em detrimento do animal, e no final, nada sobra desse dualismo. Quem decide qual tem maior valor? Quem determina o que deve ou não deve ser feito ao outro? Essas questões que envolvem a ética, não temos tempo nem espaço suficientes para abordar, entretanto, é preciso reafirmar que o criador não agiu em detrimento de um ou de outro, aquilo que Deus criou ele viu que era bom e muito bom, e ao homem foi dado o desígnio de cuidar daquilo que Deus fez bom, seja o próprio humano, ou a criação à sua volta.


Para concluir, vale lembrar algo extremamente importante e indispensável em tudo isso. O Deus redentor não redime apenas o ser humano, ele redime toda a sua criação. Não significa afirmar que Deus seja Deus de humanos e cachorros, embora não seria um equívoco afirmar, uma vez que toda a criação louva e tem em Deus sua criação e sustento. Porém, a criação também geme, e o seu gemido é uma agonizante espera pela “redenção dos filhos de Deus, pois toda a criação a um só tempo geme e suporta as angústias até agora”.


O homem que espancou o cachorrinho até a morte não é um monstro, é um humano. E essa questão é importante, tentamos alterar a existência do outro para que não nos vejamos como capazes de coisas semelhantes. Mas é preciso entender isso, quem fez aquilo, foi um humano. Mas não é só isso. Os males do mundo inteiro são feitos por humanos decaídos, destituídos e carentes do resgate misericordioso de Deus. Mas alguém pode me perguntar: e o cachorrinho? Pois bem, foi vítima duas vezes do pecado. Na primeira, desde o Éden, de forma ontológica. Na segunda, desde então, de forma prática. Vítima de quem, por mandato criador, deveria zelar por ele e cuidar dele. Qual a solução para essa equação? O evangelho. Que resgata não apenas o humano pecador em suas crueldades, mas também a criação, nesse episódio materializado num inofensivo cachorrinho.


Samuel Braz.

Imagem: Reprodução/Metrópoles.


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