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As revelações da Lei

  • teologia
  • 21 de ago. de 2018
  • 5 min de leitura

Para saber de alguma coisa, temos várias formas de pesquisa hoje. O Google, o Wikipédia (embora não tão confiável), sites, revistas, livros. Quando conhecemos algo, é como quando abrimos um presente e conhecemos o que tem dentro da caixa. Assim, a Lei de Deus, nos revela alguns detalhes importantes para nossa vida.


1. Revela a Graça.

Então Deus falou todas estas palavras: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da escravidão (Ex 20:1-2)


Os israelitas passaram por volta de 400 anos de escravidão. Debaixo da tirania de Faraó. Obrigados ao trabalho, as vontades, comidas e cultura do Egito.


Enquanto escravos, sob a autoridade do governador do Egito, não podiam viver de acordo com a vontade do Deus israelita. Por isso, por meio de Moisés, Javé desenvolve um projeto de liberdade, que os tiraria das 'garras' do rei egípcio e o levaria a viver debaixo das mãos de Deus.

E assim aconteceu, depois das dez pragas e do livramento pelo sangue de um animal, que passado nas casas dos israelitas, desviava o anjo da morte deles (última praga) viveram para ver a abertura do Mar Vermelho e serem guiados pelo Senhor durante todo o caminho até a Terra Prometida.


Por isso, as primeiras palavras dos Dez Mandamentos são na verdade a lembrança de como a Graça e a Lei de Deus operam conjuntamente. O Senhor estava dizendo que foram dados a um povo livre, salvo por Ele. Primeiro foram libertados, para então obedecerem. Da mesma forma, acontece conosco, somos tirados das trevas, arrancados do abismo, ressuscitados da morte para uma nova vida.

Quando cremos em Jesus, sofremos uma transformação de coração, mente, sentimentos, caráter, valores. Tudo se faz novo, mesmo em nosso corpo mortal, que um dia também ganhará um novo momento, como consequência da fé no Senhor. Salvos em Cristo, a Lei não está fora, mas dentro do coração. Deus nos salva para obedecer, para viver para sua glória. 2. Revela o pecado.

Além de mostrar a Graça, a Lei revela o pecado. Quando lemos os Dez Mandamentos, notamos a vontade de Deus. Viver o contrário do que diz a Santa Lei, é cometer pecado. Sobre isso, Paulo explica muita bem a importância dos mandamentos.


Em Gl 3.19 diz: Então, para que serve a lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa havia sido feita, e foi ordenada por meio de anjos, pela mão de um mediador. A lei mostra que pecado é pecado e que dentro de nós tem algo que desagrada a Deus.


A lei mostra o que é pecado, o que é desagradar a Deus: Que diremos? A lei é pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheceria o pecado se não fosse pela lei; porque eu não conheceria a cobiça, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. (Rm 7:7). Mostrando o pecado, ela então denuncia a nossa terrível condição sem Cristo.


Ela revela nosso morto coração e nos coloca o 'dedo' em riste, ao mostrar nosso estado espiritual. Por meio da Lei, o Legislador do Universo ressalta nossa incapacidade de autossalvação e como precisamos de Alguém para nos transformar.​


3. Revela o Salvador.

Se a Lei mostra nossa condição, ela aponta uma solução, que não é ela mesma. Afinal, ela não foi dada para salvar, mas para quem foi salvo. Ela não foi dada para ser o caminho, mas a sinalização do caminho. A Lei não transforma nosso coração, ela guia nosso coração na graça de Deus.


Quando pensamos que ela salva, desprezamos o que Jesus fez na cruz. Numa pergunta óbvia, qual seria a resposta: quem foi pregado na cruz, as leis divinas ou o Filho de Deus? A resposta certa, não exclui a importância da Lei, mas a coloca no lugar certo.


Sobre isso Paulo aos Gálatas 3.22-23 fala: Mas a Escritura colocou tudo debaixo do pecado, para que a promessa fosse dada aos que creem pela fé em Jesus Cristo. Mas, antes que viesse a fé, éramos mantidos debaixo da lei, nela confinados para a fé que haveria de ser revelada. Então veja que coisa maravilhosa, a Lei mostrou como o pecado nos deixou, para dizer sobre nossa necessidade de salvação. Ao ver o abismo que estávamos nos foi indicado a solução pra sairmos de lá.


A Lei exibe como estamos perdidos sem Jesus e logo nos apresenta o Salvador que pode nos tirar o pecado. Por meio do Espírito Santo, quando ouvimos a Palavra de Deus, somos confrontados com nossa situação de desespero e perdição, que nos apresenta o perdão e purificação de Jesus para uma nova vida.


4. Revela a vontade do Senhor.

Essa nova vida é a proposta do resultado da fé na morte de Jesus: o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras. (Tt 2.14). Se antes a Lei nos condenava, agora com um novo coração transformado por Deus, temos condições de obedecer.


A obra de Jesus em nós, por meio do Espírito, nos dá desejo de fazer o que agrada a Deus. Afinal, os mandamentos estão em nosso coração, inscritos na nossa mente. São parte de nós (Hebreus 8.10; 10.16).


Por isso, se somos salvos e não praticamos boas obras seremos condenados no Juízo, porque fomos negligentes com aquilo que de graça Deus nos deu. Mas, mesmo vivendo em obediência, devemos sempre lembrar que isso só acontece por causa da graça de Deus e não pelas nossas boas obras.


Vamos então prosseguir em obedecer ao Senhor. Ele nos resgatou do pecado, para as boas obras (Ef 2:10). Ele nos tirou do pecado para a santificação. Andar na Lei é fazer a Sua vontade. Por isso: vamos adorar só a Ele, não tomar seu nome em vão, obedecer o sábado, honrar os pais, não matar, não roubar, não adulterar, não cobiçar (Ex 2:1-17). Permaneçamos num caminho de obediência.


Há um pensamento do teólogo americano Larry Crabb, sobre a Lei que diz o seguinte:


“Na antiga aliança, a lei de Deus estava fora de nós, como uma placa de limite de velocidade, para nos dizer o que fazer. Mas como adolescentes num carro esporte, não éramos inclinados a obedecer à lei. Víamos a placa como uma limitação da nossa alegria, não como medida para nossa própria segurança. (...) Deus não remendou nosso antigo coração. Apenas deu um novo coração (...). gravou as Dez Regras da Estrada no nosso íntimo, para que acatá-las passasse a ser uma expressão daquilo que somos (...)”¹ Com este novo coração, podemos obedecer, nos dedicar a fazer a vontade daquele que nos chamou em seu amor.

Andrei Sampaio Soares | Teólogo, em breve jornalista e editor/criador do alemportal.com.

¹ O lugar mais seguro da Terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2000, pp.120, 123).


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