50 anos sem Martin Luther King Jr - o sonho continua
- 4 de abr. de 2018
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Parecia um dia como qualquer outro, na época, 04 de Abril de 1968. Um número grande pessoas do lado de fora de um hotel na cidade de Memphis, no Tennessee. Olhares atentos, aguardando a saída de um homem que foi comum, mas agora, estava para além da sua própria história. Já havia percorrido diversos lugares nos Estados Unidos da América (EUA), com um único intuito: gritar por igualdade. A América, marcada pela segregação racial, estava dividida completamente e literalmente entre brancos e pretos. Mas a voz pela igualdade começava a ecoar por todos os cantos, o mundo parecia fervilhar por uma mudança que colocasse fim a segregação, a luta de milhares de negros, à desigualdade racial construída por aquelas bandas.
Voltemos àquele dia, parecia normal, mas um estampido, som que muitos conheciam, mas que pareciam não acreditar que fosse possível, um estouro, e um gigante veio ao chão. Entre o estampido, a explosão da pólvora na câmara do rifle, e o seu alvo, houve um silêncio sepulcral, seguido de um barulho que ninguém queria ouvir, o som do corpo de um homem, 39 anos, negro, pastor, teólogo e sonhador, caindo ao chão. Um tiro certeiro atingiu o seu rosto, e calou aquela voz. Martin Luther King Jr, um dos maiores líderes negros que o mundo conheceu, havia tombado em sua mais nobre missão às 18:01h do dia 04/04/1968.
Aquele dia deixou de ser comum para nunca mais ser esquecido. Multidões saíram as ruas, gritaram, choraram, bradaram pedindo igualdade, igualdade, igualdade! Foram mais de 70 mil soldados enviados pelo governo para controlar a multidão, depois de três dias de luta, de grito, o cenário parecia de uma guerra civil. 43 pessoas morreram naqueles dias, sem contar o cenário de destruição que se arrastou. Calaram a voz de um homem, mas não calaram a voz de uma luta. 5 dias depois destes atos de indignação, uma multidão de mais de 150 mil pessoas marchou carregando o caixão de King Jr por Atlanta, na Georgia, com comoção e dor, choraram sua morte. Na noite anterior, antes de sua morte, King Jr afirmou: "Pode ser que eu não chegue à terra prometida com vocês". Ele não chegou, não viu os resultados de sua luta, que marcou, mais tarde, o fim a segregação nos EUA.
A morte de King Jr é um grito ainda hoje por justiça e igualdade. Ler e ouvir seus discursos, mostra a clareza com que enxergava a realidade e o sonho com que visionava o futuro. Negros não querem suporte, negros querem igualdade. Essa luta não visa privilégios, algo tão comum em um país como o Brasil, onde o fim da abolição marcou uma nova época, a da desigualdade. A luta precisa ser de resgate pelo humano, pelo criado, pelo semelhante. King Jr sonhou com um julgamento de justiça, que não considerasse a cor da pele nem como fator prejudicial, nem como fator de privilégios. É esse mundo que precisamos, é por esse mundo que a luta vale a pena.
Que nestes 50 anos da morte de uma voz, outras tantas vozes se ergam semelhantes, a também sonhar, não com um país dividido entre brancos e pretos, mas um país justo e igualitário. Que não tenhamos mais a necessidade de leis que protejam os negros, como se fossem uma minoria frágil, mas que se sustentem leis para todos os cidadãos dessa nação com igualdade. Que prevaleça para nós a premissa do Evangelho: Portanto, não há distinção entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam. (Rom 10.12)
Samuel Braz | Pastor e Teólogo.

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