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O Círculo: Virtualidade sem Limites

  • 8 de ago. de 2017
  • 2 min de leitura

Ao assistir “O círculo” (The Circle), temos a sensação de levar um central soco no estômago. O longa é dirigido por James Ponsoldt e protagonizado pelos atores Emma Watson e Tom Hanks. O roteiro é baseado no livro de mesmo nome, do escritor Dave Eggers. A pauta é extremamente polêmica e inteligente. Sem o mérito da produção de música, foto ou protagonismo; o enredo se desenrola em princípio enigmático e um pouco sem graça. Entretanto, ao passar algum tempo, problemas vão deixando claro a que veio o filme. Quais são os limites da privacidade? Até que ponto a vida em rede é realmente expositiva? Qual é o ponto limite dos benefícios de uma vida on-line? Essas perguntas são feitas em “O círculo” de maneira “subliminar”. A vida é hoje cada vez mais on-line, e a tentativa de Ponsoldt foi levar a vida comunitária aos “limites” da questão. “O Círculo” propõe que uma vida mais conectada é uma vida inteiramente mais vigiada, que a privacidade gera segredos, e estes são mentiras; Decisões responsáveis são tomadas à luz da exposição on-line; o círculo de toda essa vibe de conexão nos leva a maior intensidade nos relacionamentos afastando-nos da distância e redescobrindo a verdadeira intimidade. Será? Esta experiência fictícia realmente não conta com as falhas no sistema humano.

O Brasil hoje está na colocação 42 entre os países mais conectados do mundo, o segundo da América Latina; de acordo com GFK, especialista em pesquisas de mercado. Os passos para o futuro apontam na direção de uma vida cada dia mais exposta à rede, mais aberta ao mundo, entretanto segundo dados práticos, mais fechada à pessoalidade e à verdadeira humanidade. As pessoas estão mais acessíveis dentro dessa plataforma de vidro, porém mais fechadas ao verdadeiro outro que existe em carne e osso. O verdadeiro círculo que propõe o evangelho nos preocupa com um mundo mais verdadeiro. Este, é feito de abraços que curam, ouvidos que ouvem, mãos que tocam e com graça ajudam. O virtual ajuda, mas ainda ilude e esconde a verdade face da natureza humana; auxilia as relações, não as substituem; veiculam informações, não toda verdade; fala e evidencia a vida, mas não pode a promover de maneira real. Somos reais? Nossa vida é real? Com toda certeza a nossa linha do tempo não está nem perto de ser definida por um perfil social via rede! A gente acaba esquecendo de ser coerente quando a interatividade on-line nos oferece uma máscara virtual, onde muito do que é dito e feito se constitui uma miragem.

“Deus se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Esse foi o maior esforço da história para tornar a vida “realmente real”. E assim fica a dica: que você se “faça carne e habite entre nós”.


Por Marciel Diniz,

Escritor e Pastor.




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