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Além entrevista Mc'Onário

  • 3 de mar. de 2017
  • 5 min de leitura

O Além entrevista é o nosso "bate-papo" com quem tem história para contar. Mensalmente traremos uma personalidade para você conhecer. Reabrimos esse espaço com o Daniel Albuquerque, o Mc'onário, que fez do rap seu ministério. Ele nos fala de sua trajetória.

1. De onde és? Seus pais e familiares quem são? O casório?



Eu nasci na zona oeste de São Paulo, mas já morei em muitos lugares (rsrsrs). Atualmente moro no ABC, em São Caetano do Sul.


Família artística

Como grande parte da população brasileira eu sou filho de pais separados. Minha mãe é escritora e ela foi pai e mãe para mim. Meus avós maternos eram atores e vieram do nordeste por conta da repressão sofrida por lá. Meu avô era poeta, assim como minha mãe, então pode se dizer que essa ideia de poesias é coisa de família (rs)





Grace, companheira de todas as horas

Sobre meu casamento, olha, pode parecer exagero da minha parte, mas não conheço casamento melhor que o meu, sério. A Grace é minha companheira para todas as horas, e muito do que tem acontecido só tem acontecido devido o apoio e incentivo dela (claro, a vontade de Deus acima de tudo).


2. Em uma das canções do Ep "Hey Jovem - foi por amor" você fala do dilema com as drogas, em um breve resumo, como foi o encontro com ela até a libertação.

Bom, meu primeiro contato com as drogas foi aos 8 anos de idade, com a maconha, cigarro e cerveja. Depois desse primeiro contato as coisas foram piorando, até que aos 12 anos eu saí da casa da minha mãe. Fui morar na casa de um amigo que também usava, e morei lá por um bom tempo, até que a mãe dele descobriu nosso uso e me colocou para fora por eu ser má influência.


As drogas o levaram a se tornar morador de rua

Fui morar na rua, mais precisamente em uma casa abandonada no bairro Perdizes em São Paulo. Fiquei lá por aproximadamente 6 meses até que minha mãe me encontrou e me levou para morar com ela no Imirim, zona norte de São Paulo, nisso eu ia completar 15 anos e já estava viciado em cocaína e mesclado (mistura de crack com maconha), foi lá que eu conheci o Hip-Hop como cultura e comecei a escrever minhas primeiras letras.


Nove anos sem drogas

A droga me atrapalhou demais, eu participava de batalhas, me apresentava, mas sempre a droga vencia, me fazendo perder horários, esquecer compromissos... enfim, minha vida era uma “droga”, só eu que não percebia. Em 2005 eu escrevi a primeira versão da canção “O Tarde ainda é Cedo”, e nela eu começava fazendo um apelo a quem ouvisse para aceitar Deus na vida, coisa que eu mesmo nunca tinha feito. Antes de me converter eu nunca cantei essa música, pois não acreditava no que tinha escrito. Segui vivendo essa vida insana até que em 2008 conheci a Grace e, através dela, o evangelho de Cristo, e com muita ajuda dEle, da Grace e de sua família eu consegui me libertar dos vícios que me cercavam. Estou caminhando para a conclusão de 9 anos livre do uso de drogas, graças a Deus.

3. Como foi esse processo de Daniel Albuquerque a Mc'Onario?

Bom, o Daniel eu acho que não mudou, apenas entendeu algumas coisas e decidiu andar por um caminho melhor. Logo que eu comecei a frequentar a igreja resolvi fazer algumas canções com cunho cristão, e comecei a me apresentar em algumas igrejas e fazer evangelismo urbano com uso do rap. Algumas pessoas de igreja questionaram isso, e recebi muitas palavras de desencorajamento, isso me fez ficar afastado da música por um bom tempo.


Foi buscando a direção de Deus em oração que entendi que o propósito era bem maior do que as críticas e decidi continuar. O nome MC’Onário veio no final de 2008, surgiu por acaso depois de uma apresentação em Mauá, gostei e adotei.

Imagem: arquivo pessoal

4. Quando nasceu a ideia do EP e a parceria com o J. Freaks?

Bom, primeiro veio a parceria. Em 2010 eu conheci o Gustavo Piai, que me convidou para tocar em um culto de

jovens. Fui e, conversando, começamos a falar sobre a possiblidade de fazer RAP com banda. O Gustavo estava a procura de pessoas para montar uma banda, e eu e a Grace fomos convidados para participar no vocal.


No começo J. Freaks era um grupo grande, com bastante gente boa no vocal, focando em músicas mais populares, covers de outros grupos. Eu fazia apenas algumas participações em uma música ou outra. Com o tempo a banda foi se desmontando, o pessoal do vocal foi saindo, alguns músicos saíram, outros entraram, até que fiz a proposta para a banda de invertemos a situação e tornarmos o rap o carro forte do projeto, eles toparam e temos seguido juntos.


Em 2014 lançamos a música “Oração” e desde então começamos a pensar sobre um trabalho mais sério, foi então que em 2015 resolvemos gravar o EP, passamos 2015 e 2016 envolvidos na produção e gravação das músicas.


5. Qual maior desafio de fazer este trabalho e qual conselho você daria para quem sonha em fazer um EP, ter uma banda, um projeto musical?

Assim, tivemos diversos desafios no projeto, aliás, temos diversos desafios todo dia. Todos da banda trabalham e estudam, e alguns integrantes moram longe, então o nosso tempo para ensaio, produção, reunião é sempre nos piores horários, sacrificando muitas vezes momentos com a família, horas de sono, viagens... enfim. Além disso, tudo que precisamos de investimento acaba sempre saindo do bolso, o que acaba atrasando a realização de vários projetos.


Bom, para quem deseja seguir por este caminho eu só tenho a aconselhar que tenha certeza absoluta de que está disposto a abrir mão de luxos e desejos individuais, e, acima de tudo, que pense muito bem no que vai fazer e como vai fazer, por que é inevitável, todos os que se destacam acabam se tornando referência para alguém, e eu acredito que com tanta coisa ruim que já acontece e é produzida no mundo, não precisamos de mais pessoas servindo de más referências.

6. Para você a importância do evangelho e da Igreja?


O Evangelho é o poder de Deus para todo aquele que crê, ponto. Não consigo mais enxergar vida fora do evangelho, eu compreendi que para tudo na vida existe um conselho pré-existente a respeito, e esse conselho veio direto de Deus e está registrado nos livros da Bíblia. O evangelho é uma cultura viva, um estilo de vida, e vida verdadeira. Muitos que estão fora deste caminho dizem que o evangelho é aprisionador, quando na verdade é a libertação total, no evangelho somos livres para fazer tudo o que quisermos, a diferença é que escolhemos errar menos, e assumimos as consequências.


Cristão e igreja andam juntos!

Sobre igreja, desde já eu peço perdão a toda essa geração de desigrejados, aos líderes liberais e movimentos que acreditam e pregam na possibilidade de ser cristão sem ser parte de uma igreja, mas, eu não concordo. Eu acredito que a igreja como comunidade local é de vital importância para a nossa vida em sociedade, pois oferta suporte a saúde espiritual das pessoas. Já para aqueles que estão no caminho, eu vejo a igreja como um porto seguro, um local onde essas pessoas podem largar os seus fardos do dia a dia e se concentrarem unicamente em Cristo, ajudando uns aos outros a se manterem firmes.


Imagens: arquivo pessoal.


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