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Canção 1: Retratos de Natal

  • Especial
  • 8 de dez. de 2016
  • 4 min de leitura

Nota Inicial

Então, cheio do Espírito Santo, Zacarias profetizou:

“Louvado seja o Senhor; o Deus de Israel seja bendito;

pois ele libertou seu povo aflito.

A nós manifestou o poder de sua salvação,

na linhagem de Davi, que o servia de coração,

Tal como há muito havia prometido

pela pregação dos seus profetas ungidos:

Libertação nos concedeu de todo inimigo fatal

e daqueles que nos dispensavam ódio mortal;

Misericórdia trouxe aos nossos pais amados,

pois se lembrou do que prometera no passado,

O que jurou a Abraão, nosso antepassado —

das mãos do inimigo, seríamos resgatados,

Para que, livres do medo, o adoremos de verdade,

e na sua presença vivamos em santidade.

“E você, ‘Profeta do Altíssimo’, meu filho amado,

o caminho do Senhor deixará preparado,

Por ele o presente da salvação ao povo será dado,

os seus pecados agora serão perdoados.

Pela imensa misericórdia do Senhor,

sobre nós nascerá o sol do seu amor,

Que brilhará sobre os que vivem em trevas e em negridão,

assentados na sombra da morte, em total escuridão.

Por ele nossos passos serão guiados,

pelo caminho da paz seremos levados”.

LUCAS 1:67-79, A MENSAGEM

I. A canção da Escritura

Zacarias e Isabel foram muitíssimo abençoados por Deus. Conforme havia prometido, o Senhor lhes deu um menino milagrosamente, pois eram avançados em idade. Como Deus havia instruído chamaram o menino de João. Os judeus consideravam os filhos dádivas de Deus e "herança do Senhor" (Sl 127:3-5; 128:1-3), e de fato o são. Os israelitas jamais seguiriam a prática de seus vizinhos pagãos que abortavam ou abandonavam os filhos no mundão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 1 milhão de brasileiras entre 18 e 49 anos podem ter feito aborto ao menos uma vez na vida.[1]


Sullivan citado por Wiersbe[2] afirmou que "As forças mais poderosas do mundo não são os terremotos e os raios, as forças mais poderosas do mundo são os bebês." Zacarias que estava mudo (por causa de sua incredulidade diante da noticia do anjo – veja Lc 1:19-20), ao confirmar o nome do menino no templo recuperou a fala e entoou um cântico, conhecido como Benetictus, onde louvou a Deus com uma profecia que apresenta quatro belos retratos do significado do natal de Jesus Cristo ao mundo:


1. O retrato da Liberdade (v. 68) – A porta da prisão é aberta: O termo redimiu (NVI) significa "libertar mediante o pagamento de um resgate". Pode se referir à libertação de um prisioneiro ou de um escravo. Jesus Cristo veio ao mundo para trazer "libertação aos cativos" (Lc 4:18), salvação para os presos ao pecado e à morte.

2. O retrato da Vitória (v. 69-75) – A batalha contra o mal é vencida: Não somente os cativos são libertos, mas também os inimigos malignos são vencidos, para não fazer mais prisioneiros. É a vitória total para o povo de Deus em Cristo sobre o pecado, a morte e o diabo.

3. O retrato do Perdão (v. 76, 77) – A dívida com Deus é cancelada: Perdoar significa "cancelar uma dívida". Todo ser humano está em dívida com Deus, pois transgrediu sua lei e não vive de acordo com seus princípios (Lc 7:40-50). Além disso, todos estão espiritualmente falidos e não tem condição de pagar a própria dívida. Mas Jesus veio e saldou a dívida de todos os homens (Sl 103:12; Jo 1:29).

4. O retrato da Esperança (v. 78, 79) – O nascer do Sol da Justiça: Estes versos são um eco da profecia de Malaquias (4.2) que diz: “para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das suas asas”. Quando Jesus chegou, o povo estava em trevas, à sombra da morte e aflito; mas ele trouxe luz, vida e paz (Mt 4:16). A esperança nasceu com o natal do menino Deus como o raiar de um novo dia.


II. A canção na vida

Porque Isabel não abortou, tivemos o precursor que preparou o caminho para o poderoso Rei e Senhor. Porque Maria não abortou, tivemos o salvador que nos libertou da escravidão espiritual, e nos fez vencedor de todo mau, perdoou nossos erros e tornou-se para nós a esperança viva, o “Sol da Justiça” que, tão forte, em nós brilha. Hoje podemos cantar com muita alegria, como bem o fez, o sacerdote Zacarias: “Te louvamos oh Senhor, de todo o coração; o Deus eterno seja bendito; pois, a nós, ficou explicito o poder de sua salvação, com o memorável natal do menino adorado em suave comunhão”.


Não são quaisquer canções de natal que entoamos nesta simbólica data. São expressões de louvor verdadeiro que cheios de graças a Deus Pai ofertamos com entusiasmo. Pois o natal de Cristo só aconteceu, na plenitude dos tempos, para que Deus pudesse oferecer por sua graça inaudita, como sacrifício perfeito, seu único ‘Herdeiro’, que morreu na cruz maldita por causa de nossa insana anarquia. Este é Jesus, que se desvaleu da glória divina, porque amou a todos na Terra, identificando-se com nossa miséria.


Portanto, além de cantar com alegria e sinceridade, celebrando e adorando ao Menino como Conselheiro Maravilhoso, Deus Forte, Pai Eterno e Príncipe da Paz (Is 9:6), devemos também viver por seu governo desfrutando suas bênçãos sim, porém, com fidelidade e santificação com o fim de representá-lo com dignidade. Como ensinou Pedro: “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados.” (1 Pd 2:24). Ao único que é Digno, toda honra glória e poder, Jesus Cristo – o Homem-Deus.



Por Mateus Silva de Almeida.



[1] http://exame.abril.com.br/brasil/quem-sao-e-onde-vivem-as-brasileiras-que-ja-fizeram-aborto/ (Acesso: 07/12/16.


[2] (2007:223)


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