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Perseguição à igreja: Sinal de autenticidade

  • Cristianismo
  • 5 de abr. de 2016
  • 2 min de leitura

Quando pegamos um resfriado, o corpo logo acusa. Somos atacados por espirros consecutivos, quase todos inevitáveis. O corpo também reclama e pede "berço". Tosse, dor de cabeça e até dor de garganta são bem comuns. Se o quadro se agrava, o melhor a fazer é ir ao hospital para ser medicado.

Atentamos muito a sintomas que se apresentam em nosso corpo, contudo, ao olhar para nossa liberdade religiosa ocidental, pergunto-me se estamos atentos a sintomas que se ausentam em nossas igrejas. Refiro-me a ausência de uma perseguição mais ferrenha aos cristãos de nossa cultura, digo, uma perseguição física e brutal.

A Bíblia deixa claro: "e também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições" (2 Tm 3:12). Os apóstolos e os primeiros cristãos que o digam. Como já afirmou Dietrich Bonhoeffer, "todo chamado de Jesus conduz à morte". Acrescente a isso que Bonhoeffer teve propriedade para dizê-lo, pois morreu por opor-se à Alemanha nazista.

Por que não somos perseguidos? O escritor Richard Sturz chama isso de "anomalia". Não ouso emitir julgamento, mas que tal refletir? A proposta é colocar alguns pontos de interrogação em nossa mente, que nos traga um incômodo santo da parte do Senhor.

Será que estamos em um país tão cristianizado que não temos mais problemas em erguermos a bandeira do evangelho? Afinal, onde não há inimigos, não há guerra. Por outro lado, temos propriedade para dizer que nosso país é legitimamente composto de uma predominância cristã?

Será que estamos tão parecidos com o mundo que nos tornamos o mundo e por isso não somos perseguidos? Na linguagem do futebol, poderíamos dizer que, quando não estamos sendo marcados, há uma grande probabilidade de não estarmos com a bola.

Será que o inimigo de nossas almas se conscientizou de que a melhor artimanha contra cristãos é a perseguição encoberta da frieza e da corrupção religiosa, em vez de uma oposição aguda e clara? Mas se é assim, por que em outros países sua tática é, de fato, a perseguição física? Será que a tática varia de acordo com o local da partida?

Será que há mais hipóteses para nossa anomalia espiritual que não foram citadas?

Uma coisa é certa: temos perdido a imensa alegria da dor, o grandioso privilégio de padecer por Cristo. Pense: estamos, como Paulo, preenchendo o que nos resta das aflições de Cristo (Cl 1:24)? Quantos de nós têm sido dignos de padecer a afronta que os apóstolos padeceram por Jesus? (At 5:41). "Se me perseguiram, também perseguirão vocês" (Jo 15:20).

Muito mais poderia ser citado, porém é suficiente sabermos que "perseguição" talvez seja um bom sintoma que deveríamos sentir mais vezes, de variadas formas na igreja de Cristo. Não é um sinal de doença ou de morte. Talvez, a perseguição, um dia, nos sinalize grande avivamento.

Bem, quanto a nós, resta-nos, muitas vezes, levantarmos a cabeça frente às lutas e dores desta vida e às perseguições cristãs que temos em nosso país, em menor escala, lembrando que "ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado, e já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos" (Hb 12:4,5a).

Por, Luiz Eduardo Nunes.


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